(Resenha) Órfã #8 - Kim van Alkemade

Livro no Skoob: Orfã #8
Título Original: Orphan Number Eight
Autora:  Kim van Alkemade
Editora: Fábrica231
Páginas: 336
Ano: 2017

Em 1919, Rachel Rabinowitz e seu irmão são levados para um orfanato em Nova York, após perderem a mãe e serem abandonados pelo pai, fugitivo da polícia. Separada do irmão e mantida em quarentena após contrair uma doença, Rachel logo se torna cobaia da Dra. Mildred Solomon, que conduz uma série de pesquisas sobre tratamentos com raio X em crianças órfãs, e é submetida a experimentos de eficácia duvidosa e efeitos colaterais desconhecidos. Mais de três décadas depois, os caminhos de Rachel e da Dra. Solomon se cruzam novamente, desta vez no Lar Hebraico para Idosos, onde Mildred, agora uma senhora debilitada, está internada sob os cuidados da enfermeira lésbica Rachel. Inspirada pela história do avô, que cresceu num orfanato judaico em Manhattan, e em pesquisas realizadas nos arquivos do Museu Judaico, a autora construiu um romance histórico repleto de drama, tensão e questionamentos éticos.

Quando iniciei a leitura dessa obra, a imaginava completamente diferente, e fiquei surpresa com os desenvolvimentos que ocorriam a cada página, me perguntando como a história iria seguir, não foi uma leitura fácil, mas com um tema tão delicado já era de se esperar.

Orfã #8, conta a história de Rachel, e a conhecemos ainda garota, aliás uma criança bem birrenta, que por tudo chorava e fazia cenas para chamar a atenção tanto de seu irmão quanto dos pais, não vi isso como um defeito estritamente falando, pois víamos que ela não fazia por maldade ou por ser mimada, mas porque em meio a uma época sofrida, e em uma família que não tinha recursos, ela não entendia a realidade em que vivia.

Após uma tragédia que os separa de seus pais, Rachel e seu irmão são levados pelo sistema até que possam ser adotados por uma nova família, mas a menina não entende o que esta acontecendo e espera poder voltar para casa e ter novamente sua família, pois a inocência em que vive não a permite entender a situação complicada em que se encontra, então de repente se ver separada de seu irmão e levada para um orfanato, a espera de adoção. 

Mas infelizmente para Rachel esse seria apenas o início de sua muito sofrida sina, pois ela fará parte de um estudo onde é usado tratamento com raio X para cura de amigdalite, apenas a número 8, uma de muitas crianças submetidas ao experimento e mesmo não gostando de passar por isso ela tenta ser uma boa menina, enquanto espera que seu irmão possa vir buscá-la e eles ficarão juntos novamente. 

E assim a história vai se passando enquanto acompanhamos a Rachel passar por testes que trariam consequências desconhecidas. Em certo momento os estudos terminam e ela é enviada para um novo lar, junto de outras crianças, onde por fim ela encontra o seu irmão, mas ambos estão mudados e carregam marcas que os seguirão por toda a vida.

O livro é repleto de um sentimento triste, sentimos de pesar pelo que a Rachel teve que suportar, o tratamento a fez perder todos os cabelos do corpo, e ela sofre com as brincadeiras das outras crianças que a apelidam de "ovo", enquanto vai crescendo ela descobre que muitas coisas nelas são diferentes, e que pode ser considerada anormal por alguns, acumulando segredos que não sabe explicar ela tenta apenas viver e deixar o passado para trás, mas ele sempre esta a espreita para lembrá-la que nem sempre podemos esperar muito da vida, e de como ela pode ser cruel para alguns.

Os capítulos se alternam entre a Rachel orfã e a adulta, por isso vemos que a leitura tem uma quebra em alguns momentos, a grande questão do livro é quando a Drª Solomon da entrada no Lar de idosos onde Rachel trabalha como enfermeira, e deparada com a sua algoz ela ver a oportunidade de fazê-la pagar por tudo que passou, uma vida condenada as consequências de suas pesquisas, uma criança feito cobaia para que a Médica alcançasse reconhecimento. O que valia usar crianças como ratos de laboratório? Agora que tem a mulher em suas mãos o que Rachel irá fazer? As barreiras do certo e errado serão testadas, seu voto de cuidar de seus pacientes será posto a prova, o que você faria com alguém que te causou dor e sofrimento apenas para ter seu nome reconhecido?

Alguns pontos precisam ser expostos a respeito da obra, primeiro a abordagem de uma personagem e uma comunidade judia, a princípio quando vejo algo associado aos judeus seja em filme ou literatura somos remetidos ao holocausto, porém esse livro não teve nenhuma ligação com o fato, a história se passa na América, e a etnia não tem muita repercussão no desenvolvimento da personagem. A questão ética na qual a Rachel se ver presa, não é algo fácil de se lidar, sabemos claramente que o que ela passou foi errado, porém entendemos a sua vontade de fazer com que a responsável por seu sofrimento seja punida, mas os limites éticos a que estamos submetidos não é algo que leve em conta o olho por olho, por isso a questão é muito delicada e a própria Rachel irá lutar contra sua decisão.

A sexualidade da Rachel também foi algo importante na história, a forma como foi abordada durante o decorrer da trama foi algo que me agradou bastante, pois ficou claro como era difícil para uma jovem lidar com a questão, e como a sociedade viria a julgar caso fosse exposta. No mais apenas o final  deixou   um pouco a desejar na minha opinião, apesar de não ter sido ruim, creio que esperava algo mais.

Orfã #8 foi um livro delicado, que demorei um pouco para terminar, o lia em pequenas doses que me deixavam sempre curiosa para saber o que viria, mas com um sentimento agridoce de uma história bastante crua, que me fez imaginar o que os milhares de órfãos mundo a fora enfrentam todos os dias.

ORFÃ #8 foi cedido em parceria com a EDITORA ROCCO

Sobre a autora:


Kim van Alkemade nasceu em Nova York. Sua escrita criativa já foi publicada em diversos veículos literários, incluindo o Alaska Quarterly Review, So to Speak e CutBank. Ela leciona na Shippensburg University of Pennsylvania. Kim levou oito anos pesquisando e escrevendo Orfã #8. Seu interesse começou pelo Hebrew Orphan Asylum of New York, a instituição onde seu avô, Victor Berger, e seus irmãos, Charlie e Seymor, cresceram. Sua bisavó, Fannie Berger, trabalhou no orfanato. Muitos dos personagens do livro foram inspirados em suas histórias.

13 comentários:

  1. Olá, Janiele.
    Essa é a a primeira resenha que leio desse livro e ele me chamou muito a atenção. Gosto muito de histórias que ficam entre o passado e o presente e diferente de você não consigo ler devagar, morro de curiosidade e acabo lendo o final antes hehe. Vou querer ler com certeza.

    Prefácio

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  2. Olá, Janiele

    Eu não conhecia o livro e já fiquei mais propensa a fazer essa leitura ao saber que não temos nada relacionado ao holocausto, já que não gosto de livros ambientados nesse período.
    Achei o livro bem melancólico e entendo o porquê você o leu aos poucos.
    Não faria essa leitura no momento, mas mais pra frente pode acontecer.

    Beijocas
    - Tami
    http://www.meuepilogo.com

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  3. Oi Jani, tudo bem?

    Pela resenha parece ser mesmo um livro mais denso, do tipo que eu tb leria em pequenas doses! Não conhecia a obra, mas gostei da indicação.

    Bjs, Mi

    O que tem na nossa estante

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  4. Olá, tudo bom? :)
    Não conhecia o livro, mas a premissa é bem interessante! Uma órfã separada da família, fica sozinha e começa a ser testada feito rato de laboratório? Uau! Isso sem falar nos segredos e motivações por trás de tudo isso. Deve ter sido legal acompanhar o desenvolvimento dessa personagem! Amei sua resenha, parabéns!
    Beijos, Yasmim.

    Blog: http://literarte.blog.br/

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  5. Olá!!

    Lendo sua resenha me pareceu um livro bem denso e pesado, mas com questionamentos éticos e uma carga emocional impar. Gostei da forma como apresentou o livro, eu não conhecia e fiquei bem curiosa para saber o desenrolar de toda a trama. Assim que der vou dar uma chance a ele.

    Beijos e sucesso!!

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  6. Olá.

    Vi algumas resenhas de pessoas que também esperavam um pouco mais da história, mas ainda assim tenho muita vontade de ler, acho que aborda assuntos interessantíssimos. <3

    Livros que Li

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  7. Eu acho a capa desse livro simples e bem diferente, muito bonita. Eu sabia pouco sobre ele e gostei de conhecer um pouco mais sobre a trama aqui na sua resenha. Parece ser uma leitura bem intensa e mesmo ficando curiosa, eu acho que não o leria por enquanto, mas fiquei curiosa para ler algum dia.

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  8. Olá!
    Fiquei bem instigada a ler o livro e saber como termina a história de Rachel e também nunca li nada (exceto livros que falem da 2º Guerra) que envolva Judeus.
    Dica anotada e já vou pesquisar e ver se encontro em e-book.
    Bjs

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  9. A capa desse livro é simplesmente linda. Li a sinopse com o coração na mão e passei por sua resenha com o corpo todo arrepiado, parece ser um livro muito dificil de se ler, especialmente quando estamos falando de algo tão cruel, principalmente quando tudo isso aconteceu com uma criança. Você me prendeu a sua resenha e senti muita vontade de pegar o livro e ver o desfecho de rachel; Dica anotada

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  10. Não tenho costume de ler livros que ocorrem na época do holocausto. Mas li resenhas muito positivas desse livro, talvez eu de uma chance.
    www.belapsicose.com

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  11. Oi.

    Eu acho essa capa muito linda. Ainda não pude comprar o livro, mas ele está na minha lista. Esta também é a primeira vez que leio uma resenha dele. Só o conhecia antes pela capa e sinopse. Agora quero mais do que nunca ler este livro.

    Beijos.

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  12. Oie amore,

    Pela capa não me arriscaria a ler não pra ser sincera. Mas ao ler sua resenha confesso que com certeza será uma leitura bem legal.
    Dica anotada!
    Adoro esses livros que trazem à tona assuntos inteligentes sobre nossa sociedade e a atualidade!

    Beijokas!

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  13. Oi Janiele, sua linda, tudo bem?
    Nossa, chocada!!! Mas infelizmente não surpreendida, pois já escutei relatos similares antes e verídicos. Eu acho que ela precisa contar a verdade sobre essa médica não só para ela responder pelos crimes que cometeu com ela e outras crianças mas também para evitar que ela prejudique os pacientes.Parece ser uma boa leitura. Sua resenha ficou ótima!!!
    beijinhos.
    cila.
    http://cantinhoparaleitura.blogspot.com.br/

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